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O VÍRUS É A MENSAGEM

Escrita em Abril de 2021

COMO O CONCEITO FUNDAMENTAL DOS ESTUDOS DOS MÍDIAS PODE NOS AJUDAR A INTERPRETAR UMA REALIDADE SOCIAL

O meio é a mensagem. Diz a primeira lição a ser compreendida por todo e qualquer estudante de comunicação. E a partir dela todo um curso de novas cadeias de leitura da realidade gerando conhecimentos específicos lhes é apresentado, até que ele chegue ao ponto de ser capaz de, não só compreender de forma teórica e prática esse conceito, como também expandi-lo manipulando os conteúdos criados de acordo com cada meio para gerar um efeito específico na recepção.

 

Explicando de maneira simplista essa máxima, ela quer dizer que cada meio de comunicação (ou tecnologia), por si só, determina a natureza das mensagens a serem transmitidas, uma vez que delimitam o formato, a linguagem e a capacidade de alcance que suas informações podem atingir. Ou seja, quando abrimos um livro, ligamos uma televisão ou sintonizamos uma rádio, independente de qual seja a editora, a emissora ou o dail, o que vai determinar a profundidade dos efeitos das informações contidas e a natureza da resposta às mensagens emitidas é o nível de envolvimento que cada mídia inspira nos seus receptores.



Enquanto o texto impresso evoca a linearidade, o senso de individualidade e o olhar analítico, independente do estilo ou do gênero literário; o rádio inspira o sentido tribal, o senso de conectividade comunitária e, como efeito colateral gerado pelo ruído, o olhar superficial diante do que está sendo transmitido. A televisão atual, de som e imagem ultra definidos, vai além neste sentido comunitário e demarca subliminarmente no seu público as divisas e fronteiras simbólicas das classes sociais através da construção da imagem, criando a ideia de status; num impacto semiótico semelhante ao da fotografia, porém, intensificado. E partindo dos efeitos que essas três mídias geraram nas sociedades em que se disseminaram, podemos assumir uma perspectiva através da qual compreender boa parte das transformações sociais atravessadas desde a criação da prensa, passando pela fotografia, o rádio e, posteriormente, o cinema e a TV. Isso porque sequer tocamos no vendaval chamado internet, o mídia devastador, expansor cognitivo, cujos efeitos eu seria incapaz de descrever com precisão uma vez que estamos envoltos no furacão sensorial, psíquico e, por que não, fisiológico, que essa bomba cognitiva de alto poder de disseminação foi capaz de gerar na sociedade globalizada. Tornando impossível descrever seus efeitos com precisão, ao menos por enquanto.

 

Então, voltando à linha central deste artigo, e resumindo essa introdução necessária, cada meio de comunicação ou tecnologia provoca nos receptores e usuários um determinado efeito no padrão mental, na cognição, no comportamento e, consequentemente, na construção de novas mensagens por parte desse receptor, a partir do contato com as mensagens de cada meio. É como se cada mídia despertasse em nós um novo sentido, com o qual temos maior ou menor grau de consciência e, inevitavelmente, controle sobre seus efeitos em nossa forma de apreender a realidade a partir dele.

 

Mas essa mesma leitura dos mídias pode se arrastar para tudo o que existe, uma vez que cada elemento - material ou virtual - carrega uma codificação informativa capaz de receber e transmitir informações de maneira única. O que vai determinar o impacto social de cada elemento, porém, é o seu alcance. Assim, quando um artista, atleta, intelectual, político, entre outras categorias de influenciadores, atinge um certo nível de popularidade capaz de fazê-lo dialogar com um público amplo, eles próprios, se transformam em mídias, dando um caráter individual a qualquer informação que transmitem - apesar de poucos terem consciência desse efeito. E assim criam a sua marca, sua persona, cada qual mais atraente para uma determinada categoria de anunciantes.

 

Levando adiante essa linha, qualquer fato social de grande abrangência e impacto também assume as a face de meio, pelos mesmos motivos. Ou seja, ele se torna um suporte através do qual se propagam mensagens inerentes aos acontecimentos que são desencadeados por esse evento. E quanto maior a escala do fato social, maior é o alcance dessas mensagens. O exemplo mais fácil de ser identificado atualmente, e o ponto no qual eu quero chegar, é a pandemia de Covid-19 que o mundo está atravessando, alguns países na sua fase final, determinada pelo processo de vacinação da população; outros em sua fase intermediária. E uma nação em específico, chamada Brasil, regredindo a um estágio inicial, de picos renovados de mortes e contágios e mínimo alcance da vacinação.



O que não podemos esquecer é que essa não foi a primeira e nem será a última pandemia a assolar a humanidade. E o que devemos trazer à consciência é que a capacidade de multiplicação e transmissão de todos os outros vírus capazes de atravessar fronteiras terrestres, marítimas e continentais foi potencializada por condições sociais e sanitárias específicas. E o que é mais importante: Todas as pandemias nos forçaram a assumir uma nova perspectiva a respeito de práticas de higiene, de relacionamento com o próximo e/ou de atuação no espaço geográfico em que atuamos.

 

Enquanto a Peste Negra deflagrou as péssimas condições sanitárias em que viviam os povos da Europa; a Gripe Espanhola ganhou potencialidade nos hospitais e acampamentos médicos superlotados e com pouca higiene - flagelos da primeira guerra mundial, que fez com que uma gripe se transformasse numa superinfecção. O HIV, por sua vez, obrigou a juventude libertária de meados dos anos 80 em diante a assumir uma nova perspectiva na vivência da sexualidade. E se antes a grande preocupação com o ato sexual era a possibilidade de gravidez ou de adquirir uma IST curável ou tratável, a partir de então, a prática de sexo despretegido trazia consigo a possibilidade de se adquirir uma doença incurável, depredadora do sistema imunológico e, até meados dos anos 90, sem tratamento. Era a promessa de um processo de morte sôfrego e degradante.

 

Os vírus são existências microbiológicas existentes em todo o planeta indistintamente, o que vai determinar o seu grau de nocividade para a vida humana são as práticas comunitárias de cada agrupamento, população, sociedade e civilização adotam culturalmente. Tendo cada qual inerente à sua capacidade de disseminação um contra-efeito prático que cabe somente a nós, seres humanos, manifestar para impedir a sua proliferação.

 

Então, trazendo essa perspectiva para o Covid-19, a mensagem implícita ao vírus foi, desde sempre, um convite ao recolhimento, ao cuidado no interagir interpessoal presencial, na busca de maneiras de impedir a aglomeração de grandes contingentes de indivíduos. Por fim, em seu último estágio, na criação de vacinas para estimular nos seres humanos o desenvolvimento de anticorpos capazes de preparar o sistema imunológico para o combate adequado ao vírus. E as populações que foram capazes de se submeter a essas determinações, à essa mensagem inerente ao Covid, conseguiram atravessar a pandemia sem realmente viver o fator trágico da mesma em grande escala.

 

Os governos que, desde o início, foram capazes de providenciar as condições sanitárias, financeiras e infraestruturais para que coubesse à população apenas seguir as orientações propostas por cientistas, tiveram menos prejuízos financeiros, políticos e sanitários. Na mesma linha, os líderes que foram hábeis em decifrar a mensagem trazida pelo vírus e conduzir suas populações ao período de vacinações sem maiores traumas, idem. Além de terem encurtado o estender da pandemia e neutralizado os seus danos mais graves, a maior de um grande contingente populacional, viram seu capital político se valorizar consideravelmente.

 

E essa leitura não era difícil, o cumprimento prático das orientações contidas na mensagem não era impossível. Mas, no nosso caso, a informação foi não só ignorada como foi agressivamente combatida. E agora cabe à população chefiada por um indivíduo torpe na leitura dos sinais mais óbvios trazidos pela realidade dos acontecimentos, chorar suas perdas, enfrentar sua tragédia social e torcer pela própria sobrevivência no jogo de roleta-russa que virou a interação presencial seguida pela forma como cada sistema imunológico vai reagir ao ser acessado pela cepa do Covid-19 sorteada a cada infecção e/ou reinfecção.

 

A certeza amarga que temos que digerir e ruminar continuamente é a de que o vírus foi, desde sempre, muito claro na mensagem transmitida. E não existe qualquer fator externo que carregue maior responsabilidade pelo que estamos atravessando do que o dirigente máximo do nosso executivo, seguido pela estrutura política e social criada para amparar os seus erros de interpretação e levá-los adiante, nos empurrando para o abismo em que nos encontramos, sem condições de recuar, mas cientes do único caminho possível de ser trafegável para que consigamos alcançar e construir uma condição sanitária menos nociva aos brasileiros.


ANÁLISE: UM LUGAR SILENCIOSO


EXPLORANDO A CARGA DRAMÁTICA PRESENTE EM TODA AUSÊNCIA DE PALAVRAS 

O thriller dirigido e estrelado por John Krasinski  convida o espectador a calar as palavras para que possa descobrir as linguagens passíveis de serem exercitadas através do silêncio e compreender o sentido de viver numa contínua luta pela sobrevivência. 

Navegando pelas várias nuances produzidas pela angústia constante, Um Lugar Silencioso se apresenta como um obra de suspense ininterrupto. Uma vez que a história já se inicia num estado pós-apocalíptico estabelecido, onde os personagens estão imersos do início ao fim da trama em um ambiente de perigo iminente, que pode ser acionado ao menor ruído.

O roteiro escrito por Bryan Woods e Scott Beck conta o drama de uma família americana que tenta sobreviver isolada em uma fazenda, localizada numa cidade americana que, aparentemente, foi dizimada por uma praga alienígena. 

A família Abbot é encabeçada pelos atores Emily Blunt - que atuou em A Garota no Trem, 2016 e Futura Mary Poppins -, e John Krasinski, que também dirigiu Transformers e ganhou fama como ator ao dar vida ao personagem Jim, na versão americana da sucesso britânico The Office. Na trama, eles são Lee e Evelyn Abbot, os pais das três crianças interpretadas pelos atores Millicent Simmonds (Regan Abbot), Noah Jupe (Marcus Abbot) - que atuou em Extraordinário, 2017 - e Cade Woodward (Beau Abbot). 

Desde as primeiras cenas do longa de 90 min é possível identificar o conflito central dos personagens: eles não podem fazer barulho se quiserem ficar vivos, pois é justamente o som que atrai os aliens assassinos contra os quais eles são incapazes de lutar.

Mas com três crianças pequenas e uma mulher grávida prestes a dar a luz, como poderia ser possível não fazer barulho? E o decorrer da trama é basicamente uma dança silenciosa onde os personagens tentam, nem sempre com sucesso, cumprir essa missão.

Quando somos apresentados à família Abbot, eles já estão adaptados à uma crítica realidade. Andam pela própria casa e nos arredores da fazenda pisando sobre trilhas de areia, caminham nas pontas dos pés e utilizam linguagem de sinais para se comunicar, que haviam desenvolvido em um momento anterior aos ataques, para que pudessem se comunicar com a filha mais velha, que é deficiente auditiva. 

Lee Abbot, o patriarca do grupo é quem toma as medidas de segurança para manter todos vivos, está sempre em busca de informações sobre os ataques em outras regiões, tenta estabelecer contato com possíveis sobreviventes, caça e pesca, faz modificações práticas na fazenda em que a família vive para que eles possam monitorar todo o espaço. E está sempre buscando formas de tornar a sobrevivência o mais confortável e o menos incômoda e perturbadora possível, além de estudar meios de ficarem a salvo da ameaça que surge da floresta sempre que é emitido algum barulho. Uma perigo que, ao longo do filme, acaba sendo esclarecido que se trata de aliens de natureza bizarra e medonha, que, aliás, foram desenvolvidos pelo próprio John Krasinski, que trouxe à luz criaturas cheias de dentes, com garras pontiagudas, um ouvido estranhíssimo munido de uma audição superdesenvolvida e, justificando o sensibilidade ao som, incapazes de enxergar.

Um Lugar Silencioso é o tipo de filme que agrada desde o público mais distraído, interessados em conflitos superficiais como Bem X Mal, Humanos X Invasores, até os espectadores mais críticos, que só se satisfazem com histórias carregadas de complexidade, convites à reflexão ou que apresentem uma perspectiva original sobre questões humanas. The Quiet Place trás tudo isso, apresentando um drama que convida a audiência a se manterem calados para que possam experienciar novas formas de interação e, através delas, compreenderem o sentido da vida a partir do mergulho em seus extremos: o constante confronto com a morte.

 


Uma característica importante exposta no filme foi o fato da linguagem de sinais, que era dominada por toda a família num processo de adaptação para que pudessem se comunicar com a filha mais velha, que é deficiente auditiva, assim como a atriz que a interpretou, ter sido um dos fatores que mais contribuíram para que eles conseguissem sobreviver, ao contrário do restante dos habitantes da cidade em que viviam. Mas incapaz de compreender a importância dessa "fraqueza" carregada pela filha, Lee está constantemente buscando meios de criar para ela um aparelho auditivo. O que esclarece uma cerca incapacidade de absorver em definitivo as transformações trazidas pela série de tragédias que se seguiram o surgimentos e a dominação dos Aliens sobre a espécie humana e o espaço terrestre.

E apesar da posição dominante de Lee para a história, a trama em si não seria a mesma sem a performance de Emily Blunt, que foi capaz de despontar nas cenas mais tensas e marcantes do longo, fazendo com a Evelyn se afirmasse no papel de uma líder feminina multifacetada, atuando como mãe, dona de cada e enfermeira, fazendo o possível para atender as necessidades da família apesar das limitações trazidas pela gravidez. Entre as cenas mais agoniantes protagonizadas por Emily Brunt, está a passagem em que sua personagem entra em trabalho de parto no momento em que não tem qualquer companhia e, incapaz de conter um grito de dor causada pelas contrações, acaba atraindo um alien. No desespero da fuga, ela fura o pé em um prego e, num instante de ímpeto, consegue se jogar no banheiro, que faz de abrigo e o local do parto que acaba tendo que fazer sozinha. E sem fazer barulho.

É um filme que mais parece um recorte de um período muito mais extenso do que as lentes poderiam capturar e apesar de oferecer uma dinâmica diferente do que estamos acostumados - pois é natural que, com a gama de tecnologias disponíveis, as produções procurem explorá-las ao máximo -, Um Lugar Silencioso abre mão dos diálogos, deixando para a fotografia e os efeitos sonoros a missão de manter os espectadores atentos e, por que não, já que estamos falando de suspense, carregados de angústia. Mas, apesar da aparente limitação trazida pelo conflito central da trama, a boa notícia é que essa missão é cumprida. O filme, cuja maioria das cenas transcorrem no silêncio, torna o espectador um pouco mais conectado com a história a cada novo ruído. Que acabam se transformando em gatilhos, servindo de pontos de partida para sequências assustadoras.

Como em todos os formatos de comunicação e expressões artísticas, existem produções cinematográfica que, apesar de qualquer apelo sensacionalista e dos efeitos dramáticos que servem para estruturar cada roteiro, carregam em sua síntese um profundo questionamento e exercício filosófico. Infelizmente não é algo comum entre os lançamentos contemporâneos e, mesmo quando ocorrem, muitas vezes pecam pela falta de atratividade e apelo massivo. Ainda assim, vez por outra, roteiro, diretor e produção atingem um certo nível de harmonia capaz de gerar filmes interessantes, questionadores, emocionantes e chocantes, tudo ao mesmo tempo e em perfeita sintonia. 

Trazendo reflexões importantes acerca do modelo de adaptação e domínio da raça humana sobre o planeta Terra, por mais que, num primeiro relance o espectador não seja capaz de captar esse ponto de vista, ele dificilmente vai alcançar o fim do filme sem atingir a conclusão de que, ao falar de uma peste assolando as sociedades contemporâneas, a obra também está se referindo à raça humana, numa alternância de perspectivas que, invariavelmente, nos faz trocar de lugar com outras espécies de animais que sequer foram mencionadas na obra, mas que foram extintas graças à maneira agressiva com que a humanidade dominou a superfície da Terra.

O drama consegue convidar os espectadores a, subliminarmente, pensarem sobre a cognição - o processo pelo qual absorvemos e aplicamos conhecimentos -, sobre o exercício dos sentidos - uma vez que os personagens se veem obrigados a abrir mão da fala ou qualquer outra linguagem que manipule ruídos -, e o que é melhor: as estruturas ideológicas de domínio da raça humana sobre a superfície da Terra. E com isso eu não estou falando de qualquer valor abstrato, pelo contrário, os sistemas bombardeados pelo filme é nada mais nada menos que o sentido de territorialidade -, desde uma perspectiva mais vasta, envolvendo cidades e nações, até a mais particular, envolvendo propriedades pessoais -, e instituições como família, religião e sociedade, que são reduzidos à sua essência mais elementar: um grupo de indivíduos que se unem para lutar pela sobrevivência juntos, numa mútua troca de apoio, tendo como objetivo comum a manutenção da espécie.

Apresentando um óbvio contraponto ao mundo tecnológico e individualista que vivemos atualmente, Um Lugar Silencioso presenteia a plateia com a perspectiva de que somente a união, simbolizada pela família, e o silenciar dos conflitos, muitas vezes provocado pelo excesso de palavras ditas sem a devida reflexão, podem nos preservar em um estado de calamidade crítica. E analisando a obra a partir de seus valores mais fundamentais, podemos entender a escolha de Krasinski em contracenar com sua esposa, Emily Blunt. Oferecendo ao público uma sintonia genuína que extrapola os limites da representação. 

Quanto à atuação dos filhos do casal, cumprem o seu papel de coadjuvantes e motores que impulsionam seus pais a darem o melhor de si para garantir a sobrevivência da prole, uma vez que precisam conviver com a perturbadora certeza de que a vida de seus filhos está em risco iminente e contínuo, em meio a uma realidade que facilmente pode ser confundida com um pesadelo sem fim.

 

O EaD E A DEMOCRATIZAÇÃO NO ACESSO À EDUCAÇÃO

FACILIDADE DE INGRESSO, PREÇOS ACESSÍVEIS E FLEXIBILIDADE DE HORÁRIOS ESTÃO ENTRE OS PRINCIPAIS FATORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA A ALAVANCADA DO ENSINO À DISTÂNCIA NO BRASIL. 


Criado pelas universidade particulares de formato de ensino tradicionais visando justamente a diminuição dos custos operacionais, refletindo em mensalidades mais acessíveis, e alavancado pela crise na educação em decorrência da pandemia do Covid-19, o Ensino à Distância caminha para se transformar no principal formato de formação educacional, considerando os números nacionais. E quando comparamos o EaD com o modelo de ensino tradicional, salta a questão geográfica, um fator que sempre foi determinante no acesso ao ensino de qualidade no Brasil. Pois, se um curso tradicional, com disciplinas lecionadas por professores em salas de aulas, exige que os alunos tenham certa proximidade física às instituições de ensino, no EaD, o mesmo conteúdo pode ser direcionado para indivíduos de todo um estado, país ou mesmo para todo o globo. Pois as disciplinas são capazes de estar onde a internet também está; ou seja, disseminada pelo mundo.



Considerando ainda a facilidade de ingresso e a redução de custos com material didática, entendemos que o crescimento do formato foi apenas um caminho natural em meio a um mercado pautado pela busca ao fácil acesso. Confirmando essa tendência, os indicadores da pesquisa realizada pela Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância) em todo o território nacional antes mesmo do início da pandemia da Covid-19 apontam uma expansão considerável não só do modelo de educação em si como do EaD em relação aos formatos presenciais. O número de cursos totalmente à distância disponíveis, por exemplo, aumentou 52% entre os anos de 2017 e 2018 - quando foi realizado o último Censo no setor. Quanto ao número de alunos matriculados, o crescimento também é acentuado, com um aumento de 28%.


Outro avanço importante está no aumento do números de vagas disponíveis, pois, enquanto o modelo presencial conta com 6,3 milhões de cadeiras, o EaD apresenta 7,1 milhões. Indicando que o setor tende a não só crescer, como se sobrepujar ao ensino presencial e se apresentar como um importante aliado no processo de democratização do acesso à educação superior e especializada.


















O CRESCIMENTO DO ENSINO À DISTÂNCIA NO BRASIL


O Ensino à Distância, um modelo de educação que foi inserido e desenvolvido no Brasil através dos cursos tradicionais, visando baratear os custos com o ensino de disciplinas de grande abrangência, deixou de ser visto como uma alternativa secundária para ser adotado como modelo de formação efetivo. Atualmente são oferecidos mais de vinte mil cursos, entre livres e corporativos, através desse formato.


Segundo dados publicados no último Censo da Adeb (Associação Brasileira de Educação a Distância), que considerou números nacionais entre os anos de 2017 e 2018, houve um aumento de 52% na oferta de cursos à distância. Uma oferta que tende a aumentar consideravelmente, uma vez que o MEC dobrou o limite de carga horária a ser cumprida à distância no ensino superior, passando de 20% para 40% de todo o conteúdo dos cursos. E quando avaliamos o alcance do EaD entre as formações livres, aquelas voltadas para o desenvolvimento pessoal ou aperfeiçoamento profissional, o alcance do formato de ensino avançou até os impressionantes 16.000 cursos, com mais de 3,8 milhões de alunos matriculados. Entre os cursos superiores de carga horária totalmente cumpridas à distância, o país conta com 4.570 cursos com mais de 1,3 milhões de alunos matriculados.


Avaliando o crescimento gradativo e acentuado desse modelo de ensino, podemos concluir que a tendência do sistema educacional, como um todo, é cada vez mais explorar as facilidades oferecidas pelo EaD, uma vez que, pelo primeira vez desde o surgimento do setor, o número de cursos à distância superou o de cursos presenciais, confirmando as suspeitas de que este poderá ser o formato padrão de ensino no país num futuro próximo.



OS BENEFÍCIOS DO ENSINO À DISTÂNCIA


Com o crescimento do EaD não podemos mais olhar para esse formato de educação como um modelo alternativo. E se você tem interesse em recorrer ao EaD, seja pela indisponibilidade de tempo ou pelo fato de morar ou trabalhar muito longe de qualquer instituição de ensino, vamos abordar seus benefícios em relação ao modelo presencial.


O primeiro ponto a ser mencionado é a possibilidade de determinar o horário e o local de estudo. Pois sabemos que, no ensino presencial, é necessário estar num determinado local e num determinado horário para acompanhar as aulas; enquanto que no EaD o aluno determina o horário em que vai estudar, assim como escolhe o ambiente que vai utilizar como espaço de estudo. O que nos leva a outro fator importante, a ausência de distrações. O problema que é recorrente nas salas de aulas, no EaD é totalmente superado, uma vez que os alunos estudam em recolhimento e, o que é melhor, pelo tempo que achar necessário.


Partindo para o lado financeira, vemos que os cursos de EaD se destacam pelos preços mais acessíveis, além do seu conteúdo ser disponibilizado em formato digital, o que faz com que os custos relacionados à compra de material didático sejam eliminados. Assim como os gastos com locomoção.


Porém, apesar das inúmeras vantagens, não podemos esquecer que optar pelo EaD exige disciplina e organização. Pois, ingressar em cursos não presenciais significa assumir uma parcela importante da função dos professores, que é cobrar respostas, trabalhos e desempenho dos alunos. Então, antes de iniciar qualquer estudo através de mecanismos digitais e online, esteja certo de que você está mesmo disposto a se dedicar e exigir o melhor de si. Para que o sonho de uma nova formação não se perca pela falta de comprometimento.



INTIMIDADE HACKEADA

COLETA DE DADOS PESSOAIS, MANIPULAÇÃO DE AUDIÊNCIA, CRIAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DE FAKE NEWS E OUTROS CRIMES DE INVASÃO FRUTÍFEROS NA INTERNET

INTRODUÇÃO

Há cerca de duas décadas atrás uma pessoa comum que dissesse ter a impressão de que estava sendo vigiada o tempo inteiro, mas era incapaz de apontar quem a estava perseguindo ou por que isso estava acontecendo, poderia facilmente ser chamada de louca ou paranoica.


Mas no mundo contemporâneo a maioria de nós pode dizer sem o risco de parecer nem mesmo desconfiado, que estamos sendo monitorados em tempo integral por mecanismos de coleta de dados que, em algum momento, vão utilizar nossas informações pessoais para tentar nos influenciar de alguma forma. E não há exagero na afirmação de que qualquer indivíduo que tenha um perfil, verdadeiro ou fake, para fins pessoais ou profissionais, em qualquer plataforma de interação interpessoal e publicação de conteúdo, que já tenha feito algum tipo de transação financeira online ou eventualmente costuma navegar por entre portais de notícias, com toda a certeza está tendo seus movimentos coletados para que essas informações sejam disponibilizadas a anunciantes, que poderão utilizá-las para fins comerciais, ideológicos, partidários, religiosos, ou quantos mais forem possíveis.

Neste artigo eu vou falar sobre três dos casos de espionagem e invasão de privacidade que ocorreram inteiramente por meios online e a partir de mecanismos digitais. Em cada um deles foi provado de formas diferentes que, quando se trata de internet, nenhuma informação está a salvo. E desde o e-mail com um resumo sobre o livro, até as suas fotografias e vídeos íntimos estão servindo para ajudar algoritmos a traçarem seu perfil e te encaixar em grupos de indivíduos suscetíveis a fluxos de informações específicos.


CASO WIKILEAKS

O primeiro dos três casos foi protagonizado pelo programador australiano Julian Assange, que apesar de ter ganhado notoriedade a partir da primeira década do século XXI, já vinha sendo observado pelas atividade como hacker desde os anos 90. Julian fundou o Wikileaks em 2006. E utilizava a plataforma como espaço de publicação, com fontes anônimas, de documentos governamentais sigilosos, onde eram expostos crimes de repressão e quebra de direitos humanos por parte de governos e regimes de autoridade.

O primeiro escândalo deflagrado pelo Wikileaks aconteceu no ano de 2007, quando foi exposto ao público o manual de procedimentos militares da base de Guantánamo, em Cuba, ocupada pelas forças de segurança americanas. Após os atentados de onze de setembro, o complexo ficou responsável por manter encarcerados presos de alta periculosidade acusados de envolvimento com grupos terroristas como Al Qaeda e Talibã. Nos documentos, os militares eram orientados a utilizar de técnicas de tortura e abuso nos interrogatórios.

Um ano depois foram difundidos trechos e imagens de e-mails pessoais da governadora do Alasca, Sarah Palin, que concorria como vice-presidente nas eleições de 2008, onde Barack Obama saiu vitorioso. 

Em 2010 o Wikileaks divulgou um vídeo contradizendo a versão oficial do governo americano sobre a morte de onze iraquianos. No mesmo ano, 91 mil documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão e 391 mil documentos do Pentágono foram expostos ao público. A esta altura, Julian Assange já estava sendo perseguido pelo governo sueco, pela acusação de abuso sexual. Alguns meses depois da oficialização do processo, a plataforma começou a liberar mais de 250 mil documentos diplomáticos confidenciais do governo americano.

É claro que no caso Wikileaks a maior vítima do hackeamento de informações e quebras de sigilos foram os maiores governos e corporações do mundo. Porém, esse evento deixou claro que, se nem mesmo o estado mais poderoso do mundo era capaz de garantir a confidencialidade e segurança de suas informações mais sigilosas, os dados pessoais de cidadãos comuns provavelmente eram ainda mais fáceis de serem acessados.

E o caso seguinte só veio confirmar a desconfiança. 

A partir de então ficou claro que a resposta era sim: cada acesso, reação, postagem e comentário que você deixa na grande maioria dos ambientes online, e não somente das redes sociais mais populares, ficam registrados em banco de dados individuais. E conforme esses bancos vão sendo alimentados, o seu perfil vai sendo definido. 


CASO SNOWDEN

Até maio de 2013, Edward Snowden poderia ser definido como um modelo de cidadão americano. Formado em uma grande universidade, casado com uma bailarina e que conseguiu atingir sucesso profissional ao integrar a Agência Nacional de Segurança (NSA) Americana como técnico de TI. Um quadro que se transformou após o mês de junho do mesmo ano, quando o jovem de 29 anos expôs para todo o mundo documentos confidenciais acerca da prática de espionagem e vigilância global praticado pelas agências de segurança americana utilizando servidores de empresas como Google, Apple e Facebook. Entre os documentos, havia uma extensa base de dados a respeitos de informações, gravações e imagens de natureza íntima de indivíduos usuários dessas plataformas de tecnologia e interação, além de um programa de espionagem governamental que infringiu uma série de tratados diplomáticos entre o governo dos E.U.A. e dezenas de outras nações, incluindo países da União Européia e o próprio Brasil. 

Entre os documentos divulgados por Snowden estavam conversas da ex-presidente Dilma Rousseff com seus principais assessores.

O Caso Snowden não só apresentou ao mundo a extensão do risco que as tecnologias online podem oferecer para a privacidade dos indivíduos, como deflagrou uma série de crises diplomáticas entre o Estado Americano e outros governos ao redor do Mundo.

Logo que as informações divulgadas pelo programador ganharam as manchetes do planeta, o governo americano processou seu ex-funcionário por espionagem e vazamento de informações Sigilosas. Snowden, que deu suas primeiras entrevista em maio de 2013, enquanto estava em Hong Kong, um mês depois voou para Moscou, na Rússia, com quem os EUA não têm tratado de extradição, numa viagem apoiada pelo Wikileaks, de Julian Assange, que enviou militantes para ajudar na trânsito de Eduardo. Uma vez em solo Russo, Snowden enviou pedido de asilo para 21 países, entre eles o Brasil, dos quais apenas três se dispuseram a recebê-lo: Venezuela, Bolívia e Nicarágua. O técnico em computação, porém, acabou ficando na Rússia ao ter seu pedido de asilo aceito pelo país, onde permanece até hoje em local desconhecido.

Mas, afinal, por que essas plataformas de tecnologias têm tanto interesse nas informações pessoais de seus usuários?

A proposta inicial desses mecanismos era atender a interesses comerciais e publicitários.

Plataformas como o Google se aproveita das buscas que você faz para, a partir dela, começar um processo de assédio por meio de publicidades direcionadas, que são veiculadas ininterruptamente no Gmail, youtube ou em qualquer pixel reservado ao Adsense nos sites que visitamos para os mais variados fins. 

Enquanto o Facebook pode ser considerado pouco mais invasivo. Na medida em que não espera que ninguém faça uma busca ou forneça voluntariamente termos e temas de interesse. Ele apenas utiliza de cada clique, curtida, compartilhamento e postagens para alimentar algoritmos criados para os mais variados fins, que traçam nosso perfil psicológico e nos posiciona em grupo de interesses que poderão ser utilizados por qualquer empresa, iniciativa ou indivíduo disposto a despender dinheiro para direcionar conteúdo para públicos específicos, quase sempre interessado em produzir comportamentos pré-determinados, com comprar um produto, acessar um link, assinar um serviço ou até votar em um candidato a presidente.


CAMBRIDGE ANALYTICA

O últimos dos três casos pode ser melhor definido como invasão de privacidade e manipulação de audiência do que propriamente espionagem. Mas, sem dúvidas, é o mais emblemático dos escândalos e, infelizmente, foi o que mais gerou impacto social a nível global. 

A série de denúncias envolvendo a agência de coletas e análise de dados Cambridge Analytics mostrou ao mundo as consequências que podem ser geradas ao oferecer informações pessoais de milhões de indivíduos para grupos dispostos a utilizarem de qualquer estratégia e discurso de comunicação para alcançar seus objetivos, que neste caso específico foi a conquista de poder por vias eleitorais.

A Cambridge Analytica foi fundada por cientistas de dados vinculados ao partido republicano, que ao lado do Democratas são os dois grandes partidos políticos dos EUA. Entre seus fundadores mais notórios está Steve Bennon, que assumiu um papel definitivo na campanha eleitoral que levou Donald Trump à Casa Branca e, posteriormente, se tornou o conselheiro estratégico do presidente.

O projeto utilizado pela C.A. em todas as eleições nas quais atuou foi baseado em uma experiência de Michal Kosinski e David Stillwell, ambos especialistas em estudos de personalidades formados pela Universidade de Cambridge. Juntos, os dois pesquisadores se orgulhavam de serem capazes de traçar um perfil psicométrico preciso dos usuários a partir das publicações que eles sinalizavam com o botão "Curtir" do facebook.

A serviço da C.A. e integrados com outros pesquisadores, analistas e programados, o grupo desenvolveu uma série de páginas e aplicativos de testes de personalidade no estilo do 'MyPersonality', que acumulou mais de seis milhões de resultados obtidos a partir de respostas deixadas por usuários ao responderem perguntas divertidas e evasivas sobre comportamento no estilo "Qual Pokémon Você Seria?" - "Para qual Casa você iria em Hogwarts" - "Qual personagem da série Friends você seria". As questões, a princípio, pareciam inocentes, mas subjetivamente acumulavam informações específicas dos usuários, como a tendência para se envolver e finalizar projetos, o quão vingativo cada pessoa poderia ser, Se tinham um perfil ativo ou passivo mediante as ações sociais, O nível de satisfação diante da quadro político, entre tantos outros apontamentos.

Em números totais, a C.A. acessou os dados de mais 87 milhões de usuários do facebook sem autorização. 

Segundo Alexander Nix, o então CEO da C.A.: "Se você conhece a personalidade das pessoas que você quer atingir você pode adequar sua mensagem para ressoar de forma mais efetiva nesses públicos-alvo chave."  Numa afirmação que poderia ser traduzida em: se você conhece o perfil psicológico do seu público-alvo é mais fácil produzir informações capazes de manipular o comportamento desse público.

E na prática representou o disparo massivo de informações, muitas vezes mentirosas e inventivas, criadas para atingir públicos específicos, justamente o de psicológico mais suscetível à natureza panfletista das mensagens.

O resultado das estratégias de campanha traçadas pela C.A. foi um sucesso em países como EUA, ao eleger Donald Trump. A agência também atuou nas eleição e reeleição de Uhuru Kenyatta, presidente de Quênia, em mais uma campanha baseada na disseminação de notícias falsas criadas para gerar medo e revolta na população. A C.A. também exerceu influência direta no resultado das eleições dos países República Tcheca, Ucrânia e Malásia e no Brexit, o plebiscito popular que culminou com a saída do Reino Unido da União Europeia. 

Em muitas campanhas e países, a agência não utilizou o seu nome oficial, recorrendo à sua primeira versão, conhecida como SCL Group, e em outras atuou de forma sigilosa. O que se sabe é que, no total, a empresa pode ter sido acionada em mais de 100 campanhas eleitorais em cinco continentes. 

Um dos melhores conteúdos sobre a estratégia de atuação e os efeitos da C.A. nas eleições americanas podem ser visto na Netflix, no documentário Privacidade Hackeada, dirigido por Karim Amer e Jehane Noujaim. O filme se baseia no depoimento de Brittany Kaiser, uma analista de dados que, ao se associar à C.A., passou de militante de direitos humanos para uma das peças centrais da campanha de Donald Trump.


CONCLUSÃO

É claro que não podemos deixar de reconhecer o quanto as tecnologias de informação e comunicação transformaram positivamente a maneira como absorvemos, interagimos, produzimos e publicamos conteúdo informativo e criativo, em muitas linguagens e esferas sociais diferentes. A verdade é que a internet e os espaços de socialização na rede despertou em nós um sentido de globalidade que nenhum outro meio de comunicação foi capaz. E isso é bom, promove uma efetiva democratização do conhecimento e permite que muitas narrativas diferentes para um mesmo acontecimento ou uma mesma realidade possam ser criadas e divulgadas em larga escala. O que, por si só, impede a validade de um único ponto de vista ou interpretação para qualquer fato social.

O grande viés negativo dessa transformação é quando esses mesmos mecanismos de aproximação entre indivíduos e culturas diversas são utilizados para promover a desinformação, a discriminação, o extremismo ideológico e a instabilidade social ao mapear e explorar as fraquezas e brechas que cada indivíduo carrega.

A lição que podemos tirar de todos esses escândalos é que uma armadilha informativa pode estar escondida na postagem mais atraente, engraçada e, aparentemente, inofensiva. E se há poucos anos atrás acreditávamos que a matéria-prima mais preciosa do mundo moderno era o petróleo, hoje sabemos que os dados e a informação alcançou um valor e uma importância equivalente, senão maior. E o grande indicador dessa afirmação está no fato das organizações mais ricas e poderosas da atualidade serem as empresas de tecnologia da informação.

K-POP: ENTENDA PORQUE É TÃO COMUM CASOS DE SUICÍDIO ENVOLVENDO ARTISTAS DESSA INDÚSTRIA MUSICAL

EXCESSO DE TRABALHO, PADRÃO DE BELEZA E DE COMPORTAMENTO IDEALIZADOS E COBRANÇAS SOCIAIS MARCAM A REALIDADE DAS ESTRELAS DO ESTILO QUE VIROU FENÔMENO MUNDIAL

Surgido no início dos anos 90, o Korean Pop, conhecido mundialmente como K-pop, se destaca como um estilo que une uma forte presença de música eletrônica, apesar de utilizar variados ritmos como base, e um impecável apreço estético, quase sempre ajudados por manipulação digital de imagens. Mas apesar da aparente perfeição audiovisual, o lado avesso, ou melhor, humano, do fenômeno musical é bastante complexo e um pouco assustador se analisarmos o contexto social que produz e mantém o mundo K-Pop como um cenário propício para o desenvolvimento de distúrbios e doenças psicológicas entre os artistas e, como verão, a população como um todo.

Para entender esse ponto de vista temos que começar pela sociedade sul coreana, que apesar de ter uma das economias que mais se desenvolveram nas ultimas décadas, saindo de um país subdesenvolvido agrícola para uma das maiores potências mundiais, por outro lado, detém a maior taxa de suicídio do mundo desenvolvido. Resultado de um sistema educacional voltado para "produção" de indivíduos altamente competitivos, evocando o sentido de individualidade, e que precisam estar sempre "dando o melhor de si" para alcançarem posições de liderança e destaque na sociedade. Um perfil dentro do qual alguns podem se ajustar facilmente, mas outros precisam ter suas características mais pessoais mutiladas para que possam se encaixar. É uma avaliação superficial da sociedade, sim, mas é verdadeira e ajuda a compreender o estigma que marca os artistas do K-pop. Pois esse estilo musical , que movimenta valores dignos de uma grande indústria,  serve apenas como um exemplo do quadro social geral. E por ser o cartão postal do país, tudo o que acontece com os personagens dessa indústria ganha grandes proporções, principalmente quando consideramos a importância desses ídolos têm para a cultura local.

Grupo F(x): Sulli, no centro da imagem, foi encontrada morta em seu apartamento.
Ilustrando essa afirmação, temos o governo sul coreano regulando cada contrato musical envolvendo a indústria do KPop. Um caminho natural se pensarmos que foi o próprio governo quem financiou a alavancada do estilo dentro da Coréia e outros países asiáticos ao perceber o potencial econômico do setor. Começando a engrossar o caldo, vem o fato da sociedade sul coreana, como um todo, ser extremamente conservadora e com pouco acolhimento para comportamentos que remetam a desalinhamentos morais, uso de drogas, expressão quanto a posicionamentos políticos, sexualidade fora dos padrões (heterossexuais). Até mesmo o envolvimento sexual entre colegas de banda são aspectos e posturas negativas aos olhos do público. Que costuma não ter piedade na hora de criticar e condenar essas "falhas", muitas das vezes através das redes sociais. Mas se considerarmos a mídia atuando como um tribunal social, os veículos de comunicação também carregam sua parcela de responsabilidade pelo construção desse ambiente hostil à espontaneidade.

Juntando tudo isso ao fato de que desde muito cedo os artistas  precisam começar a se dedicar a aulas de dança, canto e interpretação, passando por anos de treinamento até que estejam no mesmo nível das grandes estrelas, para então tentarem uma estréia entre as gravadoras e produtoras do setor; indo além, devem atender a padrões estéticos muito rígidos para se enquadrarem no perfil que os fãs esperam encontrar em seus ídolos. E tendo sempre a consciência de que, em geral, as bandas ficam muito pouco tempo no topo da indústria. Então, uma vez que conseguem algum destaque, seus integrantes devem se dedicar 100% à carreira, o que significa trabalhar muito, descansar pouco e passar longos períodos longe da família e dos amigos. 

Trata-se de um padrão de comportamento muito limitado e cruel em que os artistas precisam se enquadrar se não quiserem se tornar alvo de críticas e perseguições por parte dos fãs. É como se, ao decidirem se tornar estrelas musicais, eles precisassem entrar dentro de um cubo e nele permanecer enquanto estiverem fazendo sucesso, para não pôr a perder o trabalho de toda uma vida  por uma questão de "capricho". 

Piorando ainda mais o quadro, a depressão em si é vista com muito preconceito por parte da população, que considera a doença uma "fraqueza moral" e vê o suicídio como um ato de covardia, fazendo com que indivíduos depressivos não só sejam descreditados da devida atenção como se tornem alvo de... Mais críticas!

Dedicação excessiva, cobrança excessiva e competitividade excessiva. Assim fica estabelecido um terreno fértil, em vários níveis diferentes, para o surgimento e desenvolvimento de vícios, dependências e distúrbios psicológicos, que têm o seu ponto mais crítico nas tentativas de suicídio, sejam conscientes, diretas ou indiretas - através do uso exagerado de drogas.

Então, quando nos depararmos com manchetes noticiando o afastamento, uma overdose ou tentativas de e suicídios efetivos de artistas do K-Pop, precisamos entender que não se tratam de casos isolados ou fatalidades, é o resultado previsível da soma de todos esses fatores atuando ao mesmo tempo sobre indivíduos de grande necessidade expressão, mas tolhidos desse exercício. São gritos por socorro em alto e bom som, reclamando uma atenção que, enquanto não for dada, permanecerá gerando perdas crescentes e contínuas.
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"TODOS VIVEMOS UMA MONTANHA RUSSA EMOCIONAL. E NÃO É RUIM." AFIRMA DOUTOR EM PSICOLOGIA

SEGUNDO TAL BEN-SHAHAR, PROFESSOR DE HARVARD, "EM MÉDIA, A FELICIDADE DEPENDE 50% DA GENÉTICA, 40% DAS ESCOLHAS PESSOAIS e 10% DO AMBIENTE."
Durante participação no EnlightED, evento que fala sobre o futuro da educação e sua relação com a tecnologia, o psicólogo israelense Tal Ben-Sharar, condecorado doutor pela Universidade de Harvard, onde lecionou por 25 anos, afirmou que um dos maiores aliados do estresse é a necessidade das pessoas de estarem felizes o tempo inteiro. O que seria improvável de ocorrer, primeiro por conta da natureza humana, pois cada indivíduo possui uma predisposição genética onde padrões cerebrais associados à sensação de felicidade, Depressão, raiva, alegria, ansiedade, atuam mais em alguns que em outros, em variados níveis; segundo por conta da nossa cultura social, a alta carga de informação negativa e a instável relação com o tempo, onde o descanso efetivo, que não se refere apenas ao sono, é constantemente deixado de lado em favor de compromissos diversos.

"Não é possível estar feliz sempre. As emoções negativas, como a raiva, o medo e a ansiedade, são necessárias para nós. Só os psicopatas estão a salvo disso. O problema é que, por falta de educação emocional, quando as sentimos as rejeitamos, e isso faz que se intensifiquem e que o pânico nos domine. Se bloqueamos uma emoção negativa, igualmente bloquearemos as positivas. É preciso sentir o medo e sermos conscientes de que vamos em frente mesmo com ele. Não é resignação, e sim aceitação ativa." - Afirmou Ben-Shahar.

E caminhando ao lado do estilo de vida pós-moderno, corrido e mecanizado, há um elemento que impede que o indivíduo possa viver livre de grandes expectativas, por si só é uma das maiores causas de frustrações e, consequentemente, do desenvolvimento da depressão: as redes sociais. De forma crescente, elas oferecem um desfile de felicidade, sucesso e saúde em equilíbrio, onde os indivíduos promovem um estilo de vida que não condiz com suas realidades e se transformam em complexos empecilhos na busca por um bem estar efetivo de seus seguidores,  porque atuam de maneira subliminar e, segundo o psicólogo, o fato de uma pessoa não conseguir ser tão feliz, bem sucedido e bem relacionado quanto os avatares parecem ser nas redes sociais faz com que ela se sinta péssima, acreditando que em algum momento da vida tomou caminhos e fez escolhas erradas. Quando na verdade sabemos que a vida que os indivíduos publicam nas postagens se refere apenas à história que cada um quer contar sobre si mesmo.

Para ler a entrevista completa, acesse a matéria publicada no EL PAÍS Brasil acessando Este Link.



O MELHOR ANTÍDOTO CONTRA A DEPRESSÃO É O AUTOCONHECIMENTO

AUTORA DO LIVRO OLHAR EM NEGATIVO AFIRMA QUE EM ALGUM ESTÁGIO DA VIDA TODOS ACABAM MERGULHANDO EM PERÍODOS "SOMBRIOS". MAS POUCOS SABERÃO UTILIZAR ESSE MOMENTO PARA O CRESCIMENTO PESSOAL

Não é novidade que desde o início do milênio a população da Terra vem atravessando uma grave pandemia de Depressão. E apesar da OMS, em parceria com as organizações nacionais de saúde, ter intensificado os esforços no combate à doença, através da criação de campanhas de prevenção e fortalecimento das estruturas de tratamento, os números apontam seu contínuo avanço, assim como do desenrolar mais crítico e incontornável do agravamento do quadro: o suicídio.

Graças à ação gradual e sutil da depressão no organismo psicológico e emocional dos indivíduos, seus sintomas acabam sendo confundidos com outras doenças, como ansiedade, enxaqueca, síndrome do pânico, fibromialgia, baixa imunidade, entre tantos mais, variando de acordo com as predisposições que cada pessoa tem para um certo grupo de doenças.

Mas apesar do nítido agravamento do quadro depressivo da humanidade, é justo afirmar que esse período também produziu milhares de histórias de superação. Uma dessas é da autora Assiz de Andrade, que não só superou a depressão como utilizou um de seus maiores aliados contra a doença, a escrita literária, para produzir um marco desse triunfo pessoal: o livro OLHAR em NEGATIVO, publicado pela editora Ficções. Uma coletânea de contos que aborda personagens contemporâneos atravessando instantes de profunda solidão, mesmo quando rodeados de outras pessoas, e imersão sensorial, produzindo uma leitura da realidade altamente doentia e subjetiva, que provoca a queda desses indivíduos para uma dimensão existencial toda própria, negativa, e da qual apenas ele é capaz de encontrar uma saída. O que faz com que Assiz de Andrade conclua que, tanto a depressão quanto os contos que escreveu para o seu livro, se tratam de passagens de um grande processo de autoconhecimento:

—  Eu acredito que a depressão, apesar de se tratar de um estado de espírito fundamentalmente desagradável, em que nada no mundo externo parece ter foças para nos atrair à uma vivência e convivência satisfatória, também pode ser entendida como um grande chamado para o autoconhecimento. Pois se a vida prática já não se mostra capaz de produzir estímulos que nos mantenha conectados à realidade, é hora de desbravarmos o nosso universo interior para encontrarmos ou mesmo construir nele um ambiente agradável para o nosso espírito. E essa descoberta só pode ser alcançada através do autoconhecimento.

Quem pensa que as passagens do livro se tratam de estafantes narrativas envoltas num universo todo abstrato, se engana. Pois a autora se preocupou justamente em manter a realidade atuando como o motor desses mergulhos. A partir de momentos rotineiros, práticos e até mesmo banais, os personagens se veem à frente de um espelho íntimo, onde a única vista possível é a da própria individualidade:

—  Eu poderia definir os contos do livro como gritos de autoafirmação que os personagens dão diante do mundo, que muitas vezes pode parecer estar seguindo em direção contrária. Mas nem sempre é assim, pois na verdade cada indivíduo tem sua própria direção e ele só consegue percorrer o seu caminho de maneira digna e livre se tiver total conhecimento e domínio da força que carrega em seu íntimo. É sobre isso que trata o livro, são fotografias nítidas de mergulhos subjetivos, onde os personagens precisam traduzir e desvendar os conflitos mais profundos para serem capazes de emergir à realidade fortalecidos e dispostos a prosseguir sua caminhada.

E pelo fato da Depressão ainda não ter sido completamente compreendida e decodificada por médicos, psicólogos e cientistas, temos admitir que, por enquanto, a doença tem vencido com folga a guerra contra a humanidade. Num combate que já beira duas décadas de extensão, mas parece estar muito longe de acabar. Já que a nossa espécie veio, através dos tempos, derrotando seus maiores vilões epidemiológicos por meio do conhecimento e do esforço conjunto. E não vai ser diferente com este ou outros inimigos do terceiro milênio.

O livro OLHAR em NEGATIVO está disponível para compra juntamente com a autora através DESTE LINK, assim como em diversas livrarias e plataformas virtuais de venda.




FAKE NEWS PRESIDENCIAL

DURANTE PALESTRA, EXECUTIVO DO WHATSAPP ASSUMIU PELA PRIMEIRA VEZ QUE FORAM FEITOS DISPAROS ILEGAIS DE MENSAGENS ATRAVÉS DA PLATAFORMA DURANTE AS ULTIMAS ELEIÇÕES

Ben Supple, gerente de políticas públicas e eleições globais do WhatsApp, durante uma palestra no Festival Gabo, admitiu  que o disparo ilegal de mensagens, muitas vezes mentirosas, foi uma constante durante a campanha presidencial das ultimas eleições brasileiras, que culminou com a vitória do candidato Jair Bolsonaro.

Segundo o executivo, "Na eleição brasileira do ano passado houve a atuação de empresas fornecedoras de envios maciços de mensagens, que violaram nossos termos de uso para atingir um grande número de pessoas". Ben também afirmou que, motivado por esse tipo de ação, a plataforma limitou o número de encaminhamento de mensagens de 200 para, no máximo, 20 pessoas. E como consequência bloqueou centenas de milhares de contas por violação das regras e compartilhamento de notícias falsas. Em Janeiro deste ano, o limite caiu ainda mais, de 20 para 5 o máximo de reencaminhamento de uma mesma mensagem.

Como medida de prevenção para esse tipo de ação, Ben Supple aconselha aos usuários: "Nossa visão é: não entre nesses grupos grandes, com gente que você não conhece. Saia desses grupos e os denuncie".

Outro fator que ajudou na proliferação das chamadas fake news foi o fato das empresas brasileiras envolvidas nas campanhas terem contratado disparos de empresas estrangeiras para dificultar a fiscalização por parte da justiça eleitoral, assim como não declaravam os valores gastos nas contas de campanha dos candidatos, o que configura crime eleitoral.

A interferência da disseminação de notícias falsas através das redes sociais durante as eleições de 2018 está sendo investigada pela CPI da Fake News.
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#EleiçõesDasFakeNews

Fonte: Folha de São Paulo
TechTudo
EL PAIS Brasil