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O VÍRUS É A MENSAGEM

Escrita em Abril de 2021

COMO O CONCEITO FUNDAMENTAL DOS ESTUDOS DOS MÍDIAS PODE NOS AJUDAR A INTERPRETAR UMA REALIDADE SOCIAL

O meio é a mensagem. Diz a primeira lição a ser compreendida por todo e qualquer estudante de comunicação. E a partir dela todo um curso de novas cadeias de leitura da realidade gerando conhecimentos específicos lhes é apresentado, até que ele chegue ao ponto de ser capaz de, não só compreender de forma teórica e prática esse conceito, como também expandi-lo manipulando os conteúdos criados de acordo com cada meio para gerar um efeito específico na recepção.

 

Explicando de maneira simplista essa máxima, ela quer dizer que cada meio de comunicação (ou tecnologia), por si só, determina a natureza das mensagens a serem transmitidas, uma vez que delimitam o formato, a linguagem e a capacidade de alcance que suas informações podem atingir. Ou seja, quando abrimos um livro, ligamos uma televisão ou sintonizamos uma rádio, independente de qual seja a editora, a emissora ou o dail, o que vai determinar a profundidade dos efeitos das informações contidas e a natureza da resposta às mensagens emitidas é o nível de envolvimento que cada mídia inspira nos seus receptores.



Enquanto o texto impresso evoca a linearidade, o senso de individualidade e o olhar analítico, independente do estilo ou do gênero literário; o rádio inspira o sentido tribal, o senso de conectividade comunitária e, como efeito colateral gerado pelo ruído, o olhar superficial diante do que está sendo transmitido. A televisão atual, de som e imagem ultra definidos, vai além neste sentido comunitário e demarca subliminarmente no seu público as divisas e fronteiras simbólicas das classes sociais através da construção da imagem, criando a ideia de status; num impacto semiótico semelhante ao da fotografia, porém, intensificado. E partindo dos efeitos que essas três mídias geraram nas sociedades em que se disseminaram, podemos assumir uma perspectiva através da qual compreender boa parte das transformações sociais atravessadas desde a criação da prensa, passando pela fotografia, o rádio e, posteriormente, o cinema e a TV. Isso porque sequer tocamos no vendaval chamado internet, o mídia devastador, expansor cognitivo, cujos efeitos eu seria incapaz de descrever com precisão uma vez que estamos envoltos no furacão sensorial, psíquico e, por que não, fisiológico, que essa bomba cognitiva de alto poder de disseminação foi capaz de gerar na sociedade globalizada. Tornando impossível descrever seus efeitos com precisão, ao menos por enquanto.

 

Então, voltando à linha central deste artigo, e resumindo essa introdução necessária, cada meio de comunicação ou tecnologia provoca nos receptores e usuários um determinado efeito no padrão mental, na cognição, no comportamento e, consequentemente, na construção de novas mensagens por parte desse receptor, a partir do contato com as mensagens de cada meio. É como se cada mídia despertasse em nós um novo sentido, com o qual temos maior ou menor grau de consciência e, inevitavelmente, controle sobre seus efeitos em nossa forma de apreender a realidade a partir dele.

 

Mas essa mesma leitura dos mídias pode se arrastar para tudo o que existe, uma vez que cada elemento - material ou virtual - carrega uma codificação informativa capaz de receber e transmitir informações de maneira única. O que vai determinar o impacto social de cada elemento, porém, é o seu alcance. Assim, quando um artista, atleta, intelectual, político, entre outras categorias de influenciadores, atinge um certo nível de popularidade capaz de fazê-lo dialogar com um público amplo, eles próprios, se transformam em mídias, dando um caráter individual a qualquer informação que transmitem - apesar de poucos terem consciência desse efeito. E assim criam a sua marca, sua persona, cada qual mais atraente para uma determinada categoria de anunciantes.

 

Levando adiante essa linha, qualquer fato social de grande abrangência e impacto também assume as a face de meio, pelos mesmos motivos. Ou seja, ele se torna um suporte através do qual se propagam mensagens inerentes aos acontecimentos que são desencadeados por esse evento. E quanto maior a escala do fato social, maior é o alcance dessas mensagens. O exemplo mais fácil de ser identificado atualmente, e o ponto no qual eu quero chegar, é a pandemia de Covid-19 que o mundo está atravessando, alguns países na sua fase final, determinada pelo processo de vacinação da população; outros em sua fase intermediária. E uma nação em específico, chamada Brasil, regredindo a um estágio inicial, de picos renovados de mortes e contágios e mínimo alcance da vacinação.



O que não podemos esquecer é que essa não foi a primeira e nem será a última pandemia a assolar a humanidade. E o que devemos trazer à consciência é que a capacidade de multiplicação e transmissão de todos os outros vírus capazes de atravessar fronteiras terrestres, marítimas e continentais foi potencializada por condições sociais e sanitárias específicas. E o que é mais importante: Todas as pandemias nos forçaram a assumir uma nova perspectiva a respeito de práticas de higiene, de relacionamento com o próximo e/ou de atuação no espaço geográfico em que atuamos.

 

Enquanto a Peste Negra deflagrou as péssimas condições sanitárias em que viviam os povos da Europa; a Gripe Espanhola ganhou potencialidade nos hospitais e acampamentos médicos superlotados e com pouca higiene - flagelos da primeira guerra mundial, que fez com que uma gripe se transformasse numa superinfecção. O HIV, por sua vez, obrigou a juventude libertária de meados dos anos 80 em diante a assumir uma nova perspectiva na vivência da sexualidade. E se antes a grande preocupação com o ato sexual era a possibilidade de gravidez ou de adquirir uma IST curável ou tratável, a partir de então, a prática de sexo despretegido trazia consigo a possibilidade de se adquirir uma doença incurável, depredadora do sistema imunológico e, até meados dos anos 90, sem tratamento. Era a promessa de um processo de morte sôfrego e degradante.

 

Os vírus são existências microbiológicas existentes em todo o planeta indistintamente, o que vai determinar o seu grau de nocividade para a vida humana são as práticas comunitárias de cada agrupamento, população, sociedade e civilização adotam culturalmente. Tendo cada qual inerente à sua capacidade de disseminação um contra-efeito prático que cabe somente a nós, seres humanos, manifestar para impedir a sua proliferação.

 

Então, trazendo essa perspectiva para o Covid-19, a mensagem implícita ao vírus foi, desde sempre, um convite ao recolhimento, ao cuidado no interagir interpessoal presencial, na busca de maneiras de impedir a aglomeração de grandes contingentes de indivíduos. Por fim, em seu último estágio, na criação de vacinas para estimular nos seres humanos o desenvolvimento de anticorpos capazes de preparar o sistema imunológico para o combate adequado ao vírus. E as populações que foram capazes de se submeter a essas determinações, à essa mensagem inerente ao Covid, conseguiram atravessar a pandemia sem realmente viver o fator trágico da mesma em grande escala.

 

Os governos que, desde o início, foram capazes de providenciar as condições sanitárias, financeiras e infraestruturais para que coubesse à população apenas seguir as orientações propostas por cientistas, tiveram menos prejuízos financeiros, políticos e sanitários. Na mesma linha, os líderes que foram hábeis em decifrar a mensagem trazida pelo vírus e conduzir suas populações ao período de vacinações sem maiores traumas, idem. Além de terem encurtado o estender da pandemia e neutralizado os seus danos mais graves, a maior de um grande contingente populacional, viram seu capital político se valorizar consideravelmente.

 

E essa leitura não era difícil, o cumprimento prático das orientações contidas na mensagem não era impossível. Mas, no nosso caso, a informação foi não só ignorada como foi agressivamente combatida. E agora cabe à população chefiada por um indivíduo torpe na leitura dos sinais mais óbvios trazidos pela realidade dos acontecimentos, chorar suas perdas, enfrentar sua tragédia social e torcer pela própria sobrevivência no jogo de roleta-russa que virou a interação presencial seguida pela forma como cada sistema imunológico vai reagir ao ser acessado pela cepa do Covid-19 sorteada a cada infecção e/ou reinfecção.

 

A certeza amarga que temos que digerir e ruminar continuamente é a de que o vírus foi, desde sempre, muito claro na mensagem transmitida. E não existe qualquer fator externo que carregue maior responsabilidade pelo que estamos atravessando do que o dirigente máximo do nosso executivo, seguido pela estrutura política e social criada para amparar os seus erros de interpretação e levá-los adiante, nos empurrando para o abismo em que nos encontramos, sem condições de recuar, mas cientes do único caminho possível de ser trafegável para que consigamos alcançar e construir uma condição sanitária menos nociva aos brasileiros.


PRIME EDITING: ATUALIZANDO A ENGENHARIA GENÉTICA


A cada novo avanço da ciência e da tecnologia, podemos perceber que a nossa evolução é tão dependente do mergulho nos micro-universos que compõem o mundo em que nós vivemos quanto do desbravar das fronteiras e territórios que limitam o nosso alcance. E se uma direção nos apresenta novos desafios e paradigmas filosóficos e existenciais, expandindo nossos horizontes cognitivos; a outra apresenta respostas para questões e obstáculos internos e intrínsecos ao nosso corpo e composição física, que podem se apresentar como inimigos poderosos na continuidade de nossas vidas e na caminhada evolutiva da espécie humana.


Enquanto a busca por novos horizontes na terra, no mar e no espaço revelaram, conquista após conquista, o quanto a humanidade tende a perder o protagonismo da própria existência conforme o seu olhar se expande; numa estranha contrapartida, as descobertas feitas no mundo micro, nano, atômico e agora quântico, revelam um universo superpopuloso existindo e se expandindo no interior de cada indivíduo. E assim como as ameaças do mundo externo podem pôr em cheque a continuidade de uma pessoa, uma população ou toda a humanidade, o mesmo risco, em grau equivalente, reside na estrutura molecular presente em cada célula do indivíduo.


É uma perspectiva um tanto perturbadora, é verdade. Mas da mesma forma que existem correntes científicas que se dedicam à compreensão do espaço que nos cerca na busca por caminhos, mecanismos e tecnologias que nos garantam uma vida mais segura, tantas outras estão voltadas para a resolução de problemas e enigmas que o nosso micro-universo interior tem nos apresentado ao longo de nossa jornada evolutiva.


Então, se alguém chegasse para um cidadão vivendo na passagem do século XIX para o século XX e dissesse que dentro de algumas décadas seria possível voar por todo o globo através de máquinas que cruzavam os céus carregadas de passageiros de todas as nacionalidades, essa pessoa provavelmente seria vista, no mínimo, como uma visionária exuberante.




Agora, imagine você: viver em um mundo onde, independente da sua predisposição genética para qualquer que seja o grupo de doenças, existe uma técnica que pode antever e evitar 89% das patologias já conhecidas pela humanidade apenas corrigindo moléculas de DNA. Sem cortes, livre de altas doses de medicamentos ou qualquer tipo de tratamento agressivo. E mesmo que as doenças se manifestem, bastaria que o paciente passasse por uma máquina que localiza, isola e troca a seção defeituosa do genoma para que os sintomas começassem a regredir até desaparecer.


Parecem cenas de uma realidade futurista comum nos filmes de ficção científica, não é mesmo?


Mas, acredite você ou não, esse procedimento existe, suas pesquisas estão em fase avançada de desenvolvimento e em breve prometem revolucionar não só o campo da Engenharia Genética como o exercício da medicina como conhecemos até os dias de hoje.


A técnica, de apresentação quase milagrosa para um olhar leigo, se chama Prime Editing - que pode ser traduzida para o português como Edição de Qualidade -, foi idealizada pelo engenheiro genético Andrew Anzalone, em 2017, durante a conclusão de seu doutorado na Universidade de Columbia. Mas só foi concebida enquanto estudo prático no laboratório do biólogo químico David Liu, que, por sua vez, já havia conquistado fama por ter participado do desenvolvimento do Método Crispr/Cas9 - do qual vamos falar mais à frente. O Prime Editing consiste em identificar o erro genético responsável pelo desenvolvimento e a manifestação de cada doença e, em seguida, vasculhar o DNA em busca das letras ou das seções defeituosas do genoma. Depois de localizado, o segundo passo é apagar este erro e inserir no seu lugar uma sequência de letras livre de qualquer anomalia.


Até o atual momento, o estudo foi testado apenas para identificar e curar doenças no sangue, como a Anemia Falciforme ou mesmo a Leucemia. Porque nesses casos, a medula óssea pode ser removida, "editada" e colocada de volta. Pois o maior desafio para a utilização do Prime Editing como tratamento clínico aplicável em um maior número de doenças é justamente a falta do equipamento molecular capaz de localizar as células corretas a serem alteradas no corpo. Porque, como tudo nesse mundo tem dois lados, se a técnica da edição genética for aplicada na célula ou na seção errada, ou seja, num trecho saudável do DNA, pode gerar anomalias e malformações tão diversas e complicadas que nem mesmo os cientistas podem prever as consequências finais. No chamado Efeito Frankenstein.


Porém, não obstante dessa realidade futurista, a Crispr/Cas9, outra técnica de manipulação do genoma, que precedeu o desenvolvimento do Prime Editing, vem sendo usada por médicos chineses para tratar quadros patológicos avançados e de difícil reversão. Conhecido somente como Método Crispr, esse procedimento tem uma aplicação muito semelhante ao Prime Editing, pois consiste em cortar o trecho do DNA responsável pela deformação genética e, consequentemente, a manifestação da doença, e no lugar dele inserir um novo fragmento, livre dessa alteração. Promovendo uma mutação genética que no curso natural do desenvolvimento humano pode levar gerações para se estabelecer, ou mesmo nunca acontecer.


O grande risco do Método Crispr, porém, é o mesmo apresentado por qualquer outra manipulação de genes: a criação de uma mutação inesperada, desconhecida, impassível de ser corrigida novamente e que poderá passar para as gerações seguintes.


Um exemplo desses "resultados não calculados" foi o que aconteceu na última vez, que se tem notícias e registros, em que o Método Crispr foi utilizado. Durante o tratamento de um paciente portador do HIV e da Leucemia. Nesse experimento, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, a equipe liderada por Hongkui Deng, da Universidade de Pequim, copiou os genes de indivíduos saudáveis e com resistência natural ao HIV que já haviam doado células para curar outros portadores da doença, e editaram o gene defeituoso do paciente soropositivo com leucemia para atuar como uma cópia dos genes resistentes. Como resultado, a equipe teve o câncer "corrigido", já que a doença entrou em remissão após o experimento. Mas o vírus do HIV permaneceu no DNA do paciente, porque os genes alterados correspondiam de 5% a 8% do total de células sanguíneas contaminadas.


É justamente essa falta de precisão o Calcanhar de Aquiles do Método Crispr, cuja falha foi perseguida e contornada pelos desenvolvedores do Prime Editing, que é basicamente a "versão atualizada" do Método Crispr.


Para que possamos entender a diferença entre ambos, vamos pensar em um livro muito extenso, de cerca de 3.000 páginas - o que comparado ao DNA humano, que contém três bilhões de letras, ainda pode ser considerado curto. E para encontrar uma única palavra com erro nesse imenso texto, enquanto o Método Crispr faz uma busca manual, o Prime Editing tem o comando Ctrl+F - capaz de fazer uma varredura minuciosa e precisa no conteúdo do livro em busca da palavra errada e, indo além, em todas as repetições desse erro. Outra diferença definitiva se apresenta no momento da "correção" dos defeitos genéticos. Enquanto o Método Crispr retira os trechos defeituosos do DNA para devolvê-los corrigidos em um segundo momento, o Prime Editing é capaz de promover uma correção automática onde, ao mesmo tempo em que as letras contendo erro são retiradas, outras letras com a codificação correta vão sendo postas em seus lugares.


Se você leu até aqui, mas ainda tem dúvidas em relação às duas técnicas e suas diferenças, vamos então explicar um pouco sobre a estrutura que forma o DNA e o modelo de ação de cada um dos procedimentos na correção das anomalias genéticas.


O DNA é uma molécula que está presente no núcleo de quase todas as células de quase todos os seres vivos. E é formada por três substâncias químicas:


Pentose, Fosfato e as Bases nitrogenadas - que são os famosos pares de A-T e C-G - Adenina com Timina; Citosina com Guanina. Juntos, esses três componentes são responsáveis por carregar todas as nossas informações genéticas.


A estrutura física do DNA é composta por duas fitas em formato de espiral, chamadas de dupla hélice, que se contorcem uma sobre a outra e se unem através das pontes de hidrogênio que, por sua vez, são formadas pelos pares das bases hidrogenadas A-T e C-G. A ordenação das sequências desses pares que unem a dupla hélice são chamadas de Genes. Neles está contida toda a hereditariedade que a vida traz consigo, desde as características de cada espécie até as informações que distinguem o DNA de cada indivíduo.


Indo adiante na explicação, as sequências de Genes, por sua vez, formam os cromossomos. Os seres humanos, por exemplo, possuem quarenta e seis cromossomos, vinte e três da mãe e vinte e três do pai. Ou seja, são quarenta e seis sequências de milhões de genes diferentes. O que faz com que cada DNA carregue em si cerca de três bilhões de letras, numa codificação original para cada pessoa, ou ser vivo.


Para se ter uma ideia da quantidade de informação que uma molécula de DNA guarda, foi comprovado que ela está em um formato tão comprimido no núcleo das células que se fossem esticadas poderiam alcançar até dois metros de comprimento.


Entendido essa parte, vamos agora mostrar como o Método Crispr e o Prime Edition se diferenciam.


O Método Crispr consiste em cortar a dupla hélice do DNA e através desse corte trazer consigo as sequências de genes defeituosos. Em seguida os defeitos são editados para que depois o trecho corrigido seja recolocado no mesmo lugar. A grande complicação está no fato de que, no intervalo entre Cortar, Editar e Colar, o DNA possa acionar inúmeros mecanismos de reparos intrínseco ao seu funcionamento. Então, pode acontecer de, no momento em que a sequência que foi cortada for devolvida à molécula, ela já não encontre a mesma codificação que existia quando foi extraída, gerando um resultado inesperado que pode dificultar, ou mesmo pôr a perder, todo o processo de edição controlado, e de cura, proposto pelo método. Além disso, o Método Crispr não é capaz de atuar em letras isoladas do código genético, apenas em seções. Ou seja, o Crispr/Cas9 trás consigo uma carga de possibilidade de erro que é muito difícil de ser ignorada.


O grande avanço que o Prime Editing apresenta é a capacidade de, antes mesmo de acessar a estrutura do DNA para editar as sequências com códigos defeituosos, levar consigo a codificação correta e, à medida que é feita a retirada da seção defeituosa, ocorre simultaneamente a troca pela codificação livre de anomalias. Além do mais, a precisão do Prime Editing é tamanha que o método é capaz de alterar apenas letras isoladas, sem que seja necessário a modificação de seções de Genes.


Mas então, o que está faltando para que o Prime Editing possa ser utilizado como uma tecnologia disponível para o tratamento de doenças e distúrbios genéticos?


Conforme afirmam os responsáveis pelo projeto, a técnica foi desenvolvida, porém, os equipamentos capazes de suportar as especificações e atender aos comandos necessários para a aplicação do método ainda não foram criados. É como se os cientistas soubessem onde querem chegar, mas ainda não pudessem percorrer o caminho, devido à falta de um transporte seguro. Dessa forma, eles sabem o que fazer para corrigir 89% das 75 mil doenças passíveis de serem transmitidas hereditariamente, uma vez que já identificaram os genes responsáveis pelo defeito nas células, assim como a versão corrigida para cada um desses defeitos. Mas lhes falta o mecanismo tecnológico, o que requer altos montantes de investimentos. Nos testes feitos com a tecnologia disponível atualmente, a equipe responsável foi capaz de corrigir as mutações que provocam a Anemia Falciforme, Fibrose Cística, a doença de Tay Sachs, entre outras.


O que podemos ter como certo é que para que todos esses avanços possam estar disponíveis à grande população é apenas uma questão de tempo. E por mais que possam parecer iniciativas otimistas e visionárias demais no momento, é sempre bom lembrarmos que muitas das doenças que hoje entendemos como distúrbios passageiros na saúde, curáveis ou controláveis através de tratamento, como a Tuberculose ou o Diabetes, há um século eram vistas como uma condenação de morte. Então, é muito provável que muitas das doenças que hoje amedrontam e apavoram a população, em algumas décadas possam ser tratadas a partir de uma simples e rápida edição dos genes defeituosos responsáveis pelo funcionamento incorreto das células envolvidas.

O ÚLTIMO AVANÇO DA FÍSICA QUÂNTICA: A MOLÉCULA OCUPANDO DOIS LUGARES AO MESMO TEMPO

O DESEMPENHO JÁ OBSERVADO COM ELÉTRONS E ÁTOMOS AGORA FOI REPETIDO PELA MOLÉCULA: AO SE COMPORTAR COMO ONDA FOI CAPAZ DE "ESTAR" EM DOIS LUGARES SIMULTANEAMENTE
A matéria ocupando dois lugares ao mesmo tempo: sim, isso talvez seja algo impensável para um ser humano, que para se locomover de um ponto a outro precisa queimar centenas ou milhares de calorias dependendo da distância que separa os dois pontos. Mas para cientistas quânticos não é novidade. Não quando se tratam de partículas.

A primeira vez que o fenômeno foi observado, em 1924, num experimento liderado pelo físico francês Louis de Broglie, um só elétron, a menor parte do átomo, quando lançado contra uma "parede" apresentando duas frestas,  atravessava ambas as aberturas ao mesmo tempo ao se comportar como onda. Porém, ao alcançar o outro lado da parede voltava a se apresentar como partícula e, com isso, ocupar apenas um ponto no espaço. E como se não bastasse esse efeito "mágico", algo ainda mais interessante foi descoberto: o olhar do observador é que determinava se um elétron se comportaria como onda ou como partícula.

É claro que o fenômeno, batizado como Dupla Fenda, acontecia dentro de milésimos de segundos e eram protagonizados por partículas impassíveis de serem detectadas pelo olhar humano. Mas este foi apenas o despertar da física quântica, que continuou seu avanço durante as décadas seguintes. Até que em 1996 dois físicos americanos conseguiram observar o mesmo comportamento sendo repetido por um átomo, que além do elétrons, também detém prótons e nêutrons em sua formação. Mais uma vez, o fenômeno se deu por milésimos de segundos e sob efeito da observação humana, o que, de acordo com o primeiro experimento, atua como um componente determinante no resultado.

O mais recente capítulo dessa saga quântica aconteceu no inicio de Outubro de 2019, quando uma equipe internacional de cientistas observaram a façanha sendo repetida por moléculas criadas em laboratório, compostas por 2000 átomos entre outros elementos. Um avanço que aproxima um pouco mais as duas escolas de física, que até os dias atuais nunca foram capazes de "conversar" entre si uma vez que os resultados observados em escala quântica não se repetem nem se aplicam em escala macro.
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Fontes: TechMundo | Super Interessante | Hipercultura