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PRIME EDITING: ATUALIZANDO A ENGENHARIA GENÉTICA


A cada novo avanço da ciência e da tecnologia, podemos perceber que a nossa evolução é tão dependente do mergulho nos micro-universos que compõem o mundo em que nós vivemos quanto do desbravar das fronteiras e territórios que limitam o nosso alcance. E se uma direção nos apresenta novos desafios e paradigmas filosóficos e existenciais, expandindo nossos horizontes cognitivos; a outra apresenta respostas para questões e obstáculos internos e intrínsecos ao nosso corpo e composição física, que podem se apresentar como inimigos poderosos na continuidade de nossas vidas e na caminhada evolutiva da espécie humana.


Enquanto a busca por novos horizontes na terra, no mar e no espaço revelaram, conquista após conquista, o quanto a humanidade tende a perder o protagonismo da própria existência conforme o seu olhar se expande; numa estranha contrapartida, as descobertas feitas no mundo micro, nano, atômico e agora quântico, revelam um universo superpopuloso existindo e se expandindo no interior de cada indivíduo. E assim como as ameaças do mundo externo podem pôr em cheque a continuidade de uma pessoa, uma população ou toda a humanidade, o mesmo risco, em grau equivalente, reside na estrutura molecular presente em cada célula do indivíduo.


É uma perspectiva um tanto perturbadora, é verdade. Mas da mesma forma que existem correntes científicas que se dedicam à compreensão do espaço que nos cerca na busca por caminhos, mecanismos e tecnologias que nos garantam uma vida mais segura, tantas outras estão voltadas para a resolução de problemas e enigmas que o nosso micro-universo interior tem nos apresentado ao longo de nossa jornada evolutiva.


Então, se alguém chegasse para um cidadão vivendo na passagem do século XIX para o século XX e dissesse que dentro de algumas décadas seria possível voar por todo o globo através de máquinas que cruzavam os céus carregadas de passageiros de todas as nacionalidades, essa pessoa provavelmente seria vista, no mínimo, como uma visionária exuberante.




Agora, imagine você: viver em um mundo onde, independente da sua predisposição genética para qualquer que seja o grupo de doenças, existe uma técnica que pode antever e evitar 89% das patologias já conhecidas pela humanidade apenas corrigindo moléculas de DNA. Sem cortes, livre de altas doses de medicamentos ou qualquer tipo de tratamento agressivo. E mesmo que as doenças se manifestem, bastaria que o paciente passasse por uma máquina que localiza, isola e troca a seção defeituosa do genoma para que os sintomas começassem a regredir até desaparecer.


Parecem cenas de uma realidade futurista comum nos filmes de ficção científica, não é mesmo?


Mas, acredite você ou não, esse procedimento existe, suas pesquisas estão em fase avançada de desenvolvimento e em breve prometem revolucionar não só o campo da Engenharia Genética como o exercício da medicina como conhecemos até os dias de hoje.


A técnica, de apresentação quase milagrosa para um olhar leigo, se chama Prime Editing - que pode ser traduzida para o português como Edição de Qualidade -, foi idealizada pelo engenheiro genético Andrew Anzalone, em 2017, durante a conclusão de seu doutorado na Universidade de Columbia. Mas só foi concebida enquanto estudo prático no laboratório do biólogo químico David Liu, que, por sua vez, já havia conquistado fama por ter participado do desenvolvimento do Método Crispr/Cas9 - do qual vamos falar mais à frente. O Prime Editing consiste em identificar o erro genético responsável pelo desenvolvimento e a manifestação de cada doença e, em seguida, vasculhar o DNA em busca das letras ou das seções defeituosas do genoma. Depois de localizado, o segundo passo é apagar este erro e inserir no seu lugar uma sequência de letras livre de qualquer anomalia.


Até o atual momento, o estudo foi testado apenas para identificar e curar doenças no sangue, como a Anemia Falciforme ou mesmo a Leucemia. Porque nesses casos, a medula óssea pode ser removida, "editada" e colocada de volta. Pois o maior desafio para a utilização do Prime Editing como tratamento clínico aplicável em um maior número de doenças é justamente a falta do equipamento molecular capaz de localizar as células corretas a serem alteradas no corpo. Porque, como tudo nesse mundo tem dois lados, se a técnica da edição genética for aplicada na célula ou na seção errada, ou seja, num trecho saudável do DNA, pode gerar anomalias e malformações tão diversas e complicadas que nem mesmo os cientistas podem prever as consequências finais. No chamado Efeito Frankenstein.


Porém, não obstante dessa realidade futurista, a Crispr/Cas9, outra técnica de manipulação do genoma, que precedeu o desenvolvimento do Prime Editing, vem sendo usada por médicos chineses para tratar quadros patológicos avançados e de difícil reversão. Conhecido somente como Método Crispr, esse procedimento tem uma aplicação muito semelhante ao Prime Editing, pois consiste em cortar o trecho do DNA responsável pela deformação genética e, consequentemente, a manifestação da doença, e no lugar dele inserir um novo fragmento, livre dessa alteração. Promovendo uma mutação genética que no curso natural do desenvolvimento humano pode levar gerações para se estabelecer, ou mesmo nunca acontecer.


O grande risco do Método Crispr, porém, é o mesmo apresentado por qualquer outra manipulação de genes: a criação de uma mutação inesperada, desconhecida, impassível de ser corrigida novamente e que poderá passar para as gerações seguintes.


Um exemplo desses "resultados não calculados" foi o que aconteceu na última vez, que se tem notícias e registros, em que o Método Crispr foi utilizado. Durante o tratamento de um paciente portador do HIV e da Leucemia. Nesse experimento, publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, a equipe liderada por Hongkui Deng, da Universidade de Pequim, copiou os genes de indivíduos saudáveis e com resistência natural ao HIV que já haviam doado células para curar outros portadores da doença, e editaram o gene defeituoso do paciente soropositivo com leucemia para atuar como uma cópia dos genes resistentes. Como resultado, a equipe teve o câncer "corrigido", já que a doença entrou em remissão após o experimento. Mas o vírus do HIV permaneceu no DNA do paciente, porque os genes alterados correspondiam de 5% a 8% do total de células sanguíneas contaminadas.


É justamente essa falta de precisão o Calcanhar de Aquiles do Método Crispr, cuja falha foi perseguida e contornada pelos desenvolvedores do Prime Editing, que é basicamente a "versão atualizada" do Método Crispr.


Para que possamos entender a diferença entre ambos, vamos pensar em um livro muito extenso, de cerca de 3.000 páginas - o que comparado ao DNA humano, que contém três bilhões de letras, ainda pode ser considerado curto. E para encontrar uma única palavra com erro nesse imenso texto, enquanto o Método Crispr faz uma busca manual, o Prime Editing tem o comando Ctrl+F - capaz de fazer uma varredura minuciosa e precisa no conteúdo do livro em busca da palavra errada e, indo além, em todas as repetições desse erro. Outra diferença definitiva se apresenta no momento da "correção" dos defeitos genéticos. Enquanto o Método Crispr retira os trechos defeituosos do DNA para devolvê-los corrigidos em um segundo momento, o Prime Editing é capaz de promover uma correção automática onde, ao mesmo tempo em que as letras contendo erro são retiradas, outras letras com a codificação correta vão sendo postas em seus lugares.


Se você leu até aqui, mas ainda tem dúvidas em relação às duas técnicas e suas diferenças, vamos então explicar um pouco sobre a estrutura que forma o DNA e o modelo de ação de cada um dos procedimentos na correção das anomalias genéticas.


O DNA é uma molécula que está presente no núcleo de quase todas as células de quase todos os seres vivos. E é formada por três substâncias químicas:


Pentose, Fosfato e as Bases nitrogenadas - que são os famosos pares de A-T e C-G - Adenina com Timina; Citosina com Guanina. Juntos, esses três componentes são responsáveis por carregar todas as nossas informações genéticas.


A estrutura física do DNA é composta por duas fitas em formato de espiral, chamadas de dupla hélice, que se contorcem uma sobre a outra e se unem através das pontes de hidrogênio que, por sua vez, são formadas pelos pares das bases hidrogenadas A-T e C-G. A ordenação das sequências desses pares que unem a dupla hélice são chamadas de Genes. Neles está contida toda a hereditariedade que a vida traz consigo, desde as características de cada espécie até as informações que distinguem o DNA de cada indivíduo.


Indo adiante na explicação, as sequências de Genes, por sua vez, formam os cromossomos. Os seres humanos, por exemplo, possuem quarenta e seis cromossomos, vinte e três da mãe e vinte e três do pai. Ou seja, são quarenta e seis sequências de milhões de genes diferentes. O que faz com que cada DNA carregue em si cerca de três bilhões de letras, numa codificação original para cada pessoa, ou ser vivo.


Para se ter uma ideia da quantidade de informação que uma molécula de DNA guarda, foi comprovado que ela está em um formato tão comprimido no núcleo das células que se fossem esticadas poderiam alcançar até dois metros de comprimento.


Entendido essa parte, vamos agora mostrar como o Método Crispr e o Prime Edition se diferenciam.


O Método Crispr consiste em cortar a dupla hélice do DNA e através desse corte trazer consigo as sequências de genes defeituosos. Em seguida os defeitos são editados para que depois o trecho corrigido seja recolocado no mesmo lugar. A grande complicação está no fato de que, no intervalo entre Cortar, Editar e Colar, o DNA possa acionar inúmeros mecanismos de reparos intrínseco ao seu funcionamento. Então, pode acontecer de, no momento em que a sequência que foi cortada for devolvida à molécula, ela já não encontre a mesma codificação que existia quando foi extraída, gerando um resultado inesperado que pode dificultar, ou mesmo pôr a perder, todo o processo de edição controlado, e de cura, proposto pelo método. Além disso, o Método Crispr não é capaz de atuar em letras isoladas do código genético, apenas em seções. Ou seja, o Crispr/Cas9 trás consigo uma carga de possibilidade de erro que é muito difícil de ser ignorada.


O grande avanço que o Prime Editing apresenta é a capacidade de, antes mesmo de acessar a estrutura do DNA para editar as sequências com códigos defeituosos, levar consigo a codificação correta e, à medida que é feita a retirada da seção defeituosa, ocorre simultaneamente a troca pela codificação livre de anomalias. Além do mais, a precisão do Prime Editing é tamanha que o método é capaz de alterar apenas letras isoladas, sem que seja necessário a modificação de seções de Genes.


Mas então, o que está faltando para que o Prime Editing possa ser utilizado como uma tecnologia disponível para o tratamento de doenças e distúrbios genéticos?


Conforme afirmam os responsáveis pelo projeto, a técnica foi desenvolvida, porém, os equipamentos capazes de suportar as especificações e atender aos comandos necessários para a aplicação do método ainda não foram criados. É como se os cientistas soubessem onde querem chegar, mas ainda não pudessem percorrer o caminho, devido à falta de um transporte seguro. Dessa forma, eles sabem o que fazer para corrigir 89% das 75 mil doenças passíveis de serem transmitidas hereditariamente, uma vez que já identificaram os genes responsáveis pelo defeito nas células, assim como a versão corrigida para cada um desses defeitos. Mas lhes falta o mecanismo tecnológico, o que requer altos montantes de investimentos. Nos testes feitos com a tecnologia disponível atualmente, a equipe responsável foi capaz de corrigir as mutações que provocam a Anemia Falciforme, Fibrose Cística, a doença de Tay Sachs, entre outras.


O que podemos ter como certo é que para que todos esses avanços possam estar disponíveis à grande população é apenas uma questão de tempo. E por mais que possam parecer iniciativas otimistas e visionárias demais no momento, é sempre bom lembrarmos que muitas das doenças que hoje entendemos como distúrbios passageiros na saúde, curáveis ou controláveis através de tratamento, como a Tuberculose ou o Diabetes, há um século eram vistas como uma condenação de morte. Então, é muito provável que muitas das doenças que hoje amedrontam e apavoram a população, em algumas décadas possam ser tratadas a partir de uma simples e rápida edição dos genes defeituosos responsáveis pelo funcionamento incorreto das células envolvidas.

K-POP: ENTENDA PORQUE É TÃO COMUM CASOS DE SUICÍDIO ENVOLVENDO ARTISTAS DESSA INDÚSTRIA MUSICAL

EXCESSO DE TRABALHO, PADRÃO DE BELEZA E DE COMPORTAMENTO IDEALIZADOS E COBRANÇAS SOCIAIS MARCAM A REALIDADE DAS ESTRELAS DO ESTILO QUE VIROU FENÔMENO MUNDIAL

Surgido no início dos anos 90, o Korean Pop, conhecido mundialmente como K-pop, se destaca como um estilo que une uma forte presença de música eletrônica, apesar de utilizar variados ritmos como base, e um impecável apreço estético, quase sempre ajudados por manipulação digital de imagens. Mas apesar da aparente perfeição audiovisual, o lado avesso, ou melhor, humano, do fenômeno musical é bastante complexo e um pouco assustador se analisarmos o contexto social que produz e mantém o mundo K-Pop como um cenário propício para o desenvolvimento de distúrbios e doenças psicológicas entre os artistas e, como verão, a população como um todo.

Para entender esse ponto de vista temos que começar pela sociedade sul coreana, que apesar de ter uma das economias que mais se desenvolveram nas ultimas décadas, saindo de um país subdesenvolvido agrícola para uma das maiores potências mundiais, por outro lado, detém a maior taxa de suicídio do mundo desenvolvido. Resultado de um sistema educacional voltado para "produção" de indivíduos altamente competitivos, evocando o sentido de individualidade, e que precisam estar sempre "dando o melhor de si" para alcançarem posições de liderança e destaque na sociedade. Um perfil dentro do qual alguns podem se ajustar facilmente, mas outros precisam ter suas características mais pessoais mutiladas para que possam se encaixar. É uma avaliação superficial da sociedade, sim, mas é verdadeira e ajuda a compreender o estigma que marca os artistas do K-pop. Pois esse estilo musical , que movimenta valores dignos de uma grande indústria,  serve apenas como um exemplo do quadro social geral. E por ser o cartão postal do país, tudo o que acontece com os personagens dessa indústria ganha grandes proporções, principalmente quando consideramos a importância desses ídolos têm para a cultura local.

Grupo F(x): Sulli, no centro da imagem, foi encontrada morta em seu apartamento.
Ilustrando essa afirmação, temos o governo sul coreano regulando cada contrato musical envolvendo a indústria do KPop. Um caminho natural se pensarmos que foi o próprio governo quem financiou a alavancada do estilo dentro da Coréia e outros países asiáticos ao perceber o potencial econômico do setor. Começando a engrossar o caldo, vem o fato da sociedade sul coreana, como um todo, ser extremamente conservadora e com pouco acolhimento para comportamentos que remetam a desalinhamentos morais, uso de drogas, expressão quanto a posicionamentos políticos, sexualidade fora dos padrões (heterossexuais). Até mesmo o envolvimento sexual entre colegas de banda são aspectos e posturas negativas aos olhos do público. Que costuma não ter piedade na hora de criticar e condenar essas "falhas", muitas das vezes através das redes sociais. Mas se considerarmos a mídia atuando como um tribunal social, os veículos de comunicação também carregam sua parcela de responsabilidade pelo construção desse ambiente hostil à espontaneidade.

Juntando tudo isso ao fato de que desde muito cedo os artistas  precisam começar a se dedicar a aulas de dança, canto e interpretação, passando por anos de treinamento até que estejam no mesmo nível das grandes estrelas, para então tentarem uma estréia entre as gravadoras e produtoras do setor; indo além, devem atender a padrões estéticos muito rígidos para se enquadrarem no perfil que os fãs esperam encontrar em seus ídolos. E tendo sempre a consciência de que, em geral, as bandas ficam muito pouco tempo no topo da indústria. Então, uma vez que conseguem algum destaque, seus integrantes devem se dedicar 100% à carreira, o que significa trabalhar muito, descansar pouco e passar longos períodos longe da família e dos amigos. 

Trata-se de um padrão de comportamento muito limitado e cruel em que os artistas precisam se enquadrar se não quiserem se tornar alvo de críticas e perseguições por parte dos fãs. É como se, ao decidirem se tornar estrelas musicais, eles precisassem entrar dentro de um cubo e nele permanecer enquanto estiverem fazendo sucesso, para não pôr a perder o trabalho de toda uma vida  por uma questão de "capricho". 

Piorando ainda mais o quadro, a depressão em si é vista com muito preconceito por parte da população, que considera a doença uma "fraqueza moral" e vê o suicídio como um ato de covardia, fazendo com que indivíduos depressivos não só sejam descreditados da devida atenção como se tornem alvo de... Mais críticas!

Dedicação excessiva, cobrança excessiva e competitividade excessiva. Assim fica estabelecido um terreno fértil, em vários níveis diferentes, para o surgimento e desenvolvimento de vícios, dependências e distúrbios psicológicos, que têm o seu ponto mais crítico nas tentativas de suicídio, sejam conscientes, diretas ou indiretas - através do uso exagerado de drogas.

Então, quando nos depararmos com manchetes noticiando o afastamento, uma overdose ou tentativas de e suicídios efetivos de artistas do K-Pop, precisamos entender que não se tratam de casos isolados ou fatalidades, é o resultado previsível da soma de todos esses fatores atuando ao mesmo tempo sobre indivíduos de grande necessidade expressão, mas tolhidos desse exercício. São gritos por socorro em alto e bom som, reclamando uma atenção que, enquanto não for dada, permanecerá gerando perdas crescentes e contínuas.
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"TODOS VIVEMOS UMA MONTANHA RUSSA EMOCIONAL. E NÃO É RUIM." AFIRMA DOUTOR EM PSICOLOGIA

SEGUNDO TAL BEN-SHAHAR, PROFESSOR DE HARVARD, "EM MÉDIA, A FELICIDADE DEPENDE 50% DA GENÉTICA, 40% DAS ESCOLHAS PESSOAIS e 10% DO AMBIENTE."
Durante participação no EnlightED, evento que fala sobre o futuro da educação e sua relação com a tecnologia, o psicólogo israelense Tal Ben-Sharar, condecorado doutor pela Universidade de Harvard, onde lecionou por 25 anos, afirmou que um dos maiores aliados do estresse é a necessidade das pessoas de estarem felizes o tempo inteiro. O que seria improvável de ocorrer, primeiro por conta da natureza humana, pois cada indivíduo possui uma predisposição genética onde padrões cerebrais associados à sensação de felicidade, Depressão, raiva, alegria, ansiedade, atuam mais em alguns que em outros, em variados níveis; segundo por conta da nossa cultura social, a alta carga de informação negativa e a instável relação com o tempo, onde o descanso efetivo, que não se refere apenas ao sono, é constantemente deixado de lado em favor de compromissos diversos.

"Não é possível estar feliz sempre. As emoções negativas, como a raiva, o medo e a ansiedade, são necessárias para nós. Só os psicopatas estão a salvo disso. O problema é que, por falta de educação emocional, quando as sentimos as rejeitamos, e isso faz que se intensifiquem e que o pânico nos domine. Se bloqueamos uma emoção negativa, igualmente bloquearemos as positivas. É preciso sentir o medo e sermos conscientes de que vamos em frente mesmo com ele. Não é resignação, e sim aceitação ativa." - Afirmou Ben-Shahar.

E caminhando ao lado do estilo de vida pós-moderno, corrido e mecanizado, há um elemento que impede que o indivíduo possa viver livre de grandes expectativas, por si só é uma das maiores causas de frustrações e, consequentemente, do desenvolvimento da depressão: as redes sociais. De forma crescente, elas oferecem um desfile de felicidade, sucesso e saúde em equilíbrio, onde os indivíduos promovem um estilo de vida que não condiz com suas realidades e se transformam em complexos empecilhos na busca por um bem estar efetivo de seus seguidores,  porque atuam de maneira subliminar e, segundo o psicólogo, o fato de uma pessoa não conseguir ser tão feliz, bem sucedido e bem relacionado quanto os avatares parecem ser nas redes sociais faz com que ela se sinta péssima, acreditando que em algum momento da vida tomou caminhos e fez escolhas erradas. Quando na verdade sabemos que a vida que os indivíduos publicam nas postagens se refere apenas à história que cada um quer contar sobre si mesmo.

Para ler a entrevista completa, acesse a matéria publicada no EL PAÍS Brasil acessando Este Link.



O MELHOR ANTÍDOTO CONTRA A DEPRESSÃO É O AUTOCONHECIMENTO

AUTORA DO LIVRO OLHAR EM NEGATIVO AFIRMA QUE EM ALGUM ESTÁGIO DA VIDA TODOS ACABAM MERGULHANDO EM PERÍODOS "SOMBRIOS". MAS POUCOS SABERÃO UTILIZAR ESSE MOMENTO PARA O CRESCIMENTO PESSOAL

Não é novidade que desde o início do milênio a população da Terra vem atravessando uma grave pandemia de Depressão. E apesar da OMS, em parceria com as organizações nacionais de saúde, ter intensificado os esforços no combate à doença, através da criação de campanhas de prevenção e fortalecimento das estruturas de tratamento, os números apontam seu contínuo avanço, assim como do desenrolar mais crítico e incontornável do agravamento do quadro: o suicídio.

Graças à ação gradual e sutil da depressão no organismo psicológico e emocional dos indivíduos, seus sintomas acabam sendo confundidos com outras doenças, como ansiedade, enxaqueca, síndrome do pânico, fibromialgia, baixa imunidade, entre tantos mais, variando de acordo com as predisposições que cada pessoa tem para um certo grupo de doenças.

Mas apesar do nítido agravamento do quadro depressivo da humanidade, é justo afirmar que esse período também produziu milhares de histórias de superação. Uma dessas é da autora Assiz de Andrade, que não só superou a depressão como utilizou um de seus maiores aliados contra a doença, a escrita literária, para produzir um marco desse triunfo pessoal: o livro OLHAR em NEGATIVO, publicado pela editora Ficções. Uma coletânea de contos que aborda personagens contemporâneos atravessando instantes de profunda solidão, mesmo quando rodeados de outras pessoas, e imersão sensorial, produzindo uma leitura da realidade altamente doentia e subjetiva, que provoca a queda desses indivíduos para uma dimensão existencial toda própria, negativa, e da qual apenas ele é capaz de encontrar uma saída. O que faz com que Assiz de Andrade conclua que, tanto a depressão quanto os contos que escreveu para o seu livro, se tratam de passagens de um grande processo de autoconhecimento:

—  Eu acredito que a depressão, apesar de se tratar de um estado de espírito fundamentalmente desagradável, em que nada no mundo externo parece ter foças para nos atrair à uma vivência e convivência satisfatória, também pode ser entendida como um grande chamado para o autoconhecimento. Pois se a vida prática já não se mostra capaz de produzir estímulos que nos mantenha conectados à realidade, é hora de desbravarmos o nosso universo interior para encontrarmos ou mesmo construir nele um ambiente agradável para o nosso espírito. E essa descoberta só pode ser alcançada através do autoconhecimento.

Quem pensa que as passagens do livro se tratam de estafantes narrativas envoltas num universo todo abstrato, se engana. Pois a autora se preocupou justamente em manter a realidade atuando como o motor desses mergulhos. A partir de momentos rotineiros, práticos e até mesmo banais, os personagens se veem à frente de um espelho íntimo, onde a única vista possível é a da própria individualidade:

—  Eu poderia definir os contos do livro como gritos de autoafirmação que os personagens dão diante do mundo, que muitas vezes pode parecer estar seguindo em direção contrária. Mas nem sempre é assim, pois na verdade cada indivíduo tem sua própria direção e ele só consegue percorrer o seu caminho de maneira digna e livre se tiver total conhecimento e domínio da força que carrega em seu íntimo. É sobre isso que trata o livro, são fotografias nítidas de mergulhos subjetivos, onde os personagens precisam traduzir e desvendar os conflitos mais profundos para serem capazes de emergir à realidade fortalecidos e dispostos a prosseguir sua caminhada.

E pelo fato da Depressão ainda não ter sido completamente compreendida e decodificada por médicos, psicólogos e cientistas, temos admitir que, por enquanto, a doença tem vencido com folga a guerra contra a humanidade. Num combate que já beira duas décadas de extensão, mas parece estar muito longe de acabar. Já que a nossa espécie veio, através dos tempos, derrotando seus maiores vilões epidemiológicos por meio do conhecimento e do esforço conjunto. E não vai ser diferente com este ou outros inimigos do terceiro milênio.

O livro OLHAR em NEGATIVO está disponível para compra juntamente com a autora através DESTE LINK, assim como em diversas livrarias e plataformas virtuais de venda.