FASCISMO



O fascismo não é um nome ou sobrenome pelo qual alguém decide passar a ser chamado de uma hora pra outra. Não é uma camisa que um indivíduo decide vestir e só a partir de então as suas ações passarão a ser efetivamente fascistas. O fascismo não é um time, não é uma bandeira, não é um partido, nem um candidato. O fascismo é um conjunto de valores, é uma formulação de vontades, um arcabouço de ações, um viés de caráter que, muitas vezes, pode até mesmo ser defendido, afirmado e praticado sem receber o nome de fascismo. O fascismo nem sempre é descarado; pelo contrário, quando ele se mostra em todo o seu horror e deformação, é porque os seus sinais mais sutis já se manifestaram e encontraram terreno para se afirmar e estabelecer.


O fascismo parte de uma determinação interna, uma certa vontade cega e feroz, imatura e irracional, de fazer valer as próprias vontades sobre a vida dos demais. E movido pela sanha de uma autoafirmação vazia, o fascista se propõe a destruir tudo e todos que se colocam contra os seus interesses, quase sempre pueris e despropositados, pautados na recorrente ânsia por apontar, perseguir e destruir. Eis o seu constante e insaciável desejo.



Porque o fascista é, antes de tudo, um incompetente. Ele é alguém que não tocou nem desenvolveu a capacidade de se apossar e civilizar os próprios instintos, as próprias vontades e, por isso, tem na manifestação da sua sanha por agressão - moral, psicológica ou física - o seu instante de maior satisfação. Por isso a necessidade de movimentos fascistas de manterem as minorias sempre coagidas, prontas para servirem de vítimas das suas ações violentas. E por isso o choro desavergonhado, a expressão de criança abandonada, a flagrante covardia exposta, sempre que esse privilégio lhe é tirado.


Esse é o conceito de fascismo. Assim como o nazismo, ele é um certo nível de consciência e conjugado de valores rasteiros, retrógrados, imaturos. E como toda ideologia nefasta, precisa ser combatida em seu conceito, nos seus fundamentos psicológicos e comportamentais mais sutis. Porque o fascismo, assim como o nazismo, existia antes mesmo de ter sido nomeado e batizado e vai continuar existindo e se manifestando no vácuo deixado pela falta de conhecimento, parâmetros e perspectivas de desenvolvimento trazidas pelas transformações sociais. O fascismo é o grito de covardia que o indivíduo produz quando se sente incapaz de confrontar uma nova realidade.